sábado, 3 de Abril de 2010

Arte Egípcia - O Império Antigo: III Dinastia

Foi nesta dinastia, principalmente no reinado do faraó Zozer (seu fundador), que começaram a ser definidas as linhas de orientação da arte egípcia, nas diversas formas de expressão.
Necrópole de Sakará

Como acreditavam na imortalidade e na adoração dos deuses, centenas de milhares de escravos e camponeses foram forçados a construir as necrópoles (subterrâneos destinados às sepulturas) e túmulos dos faraós, sacerdotes e altos funcionários. Para além disso também construiram gigantescos monumentos que se destinavam à celebração de rituais e à devoção dos deuses.
Mastaba de Sakará

Os túmulos mais tradicionais são as mastabas. Eram construidas em pedra de forma quadrangular sobre a câmara funerária subterrânea onde estava o sacófago.
Mastaba


Cabeça da estátua do faraó Zozer, Sakará

Dentro da mastaba mas à superfície havia uma capela para as oferendas e um compartimento secreto para a colocação de uma estátua funerária do defunto, para a encarnação da alma. Como podemos ver na imagem acima, Zozer apresenta o Kalf na cabeça e a barbicha postiça, signos de estatuto real.


Imagens do interior da mastaba

As paredes eram decoradas com pinturas e baixos relevos de cenas que retratavam o quotidiano da vida do defunto, para que a sua alma continuasse a desfrutar de tudo o que tinha em vida.

Pirâmide de Zozer, Sakará, Terceira Dinastia, c. 2600a.C.

O arquitecto Imhotep criou pela primeira vez a forma de pirâmide na construção do túmulo do faraó Zozer, em Sakará. É construida em forma de degraus sucessivos sobre uma mastaba tradicional. É quase como se fossem mastabas sobrepostas umas em cima das outras.
Desde a primeira dinastia que as mastabas evoluiam para dimensões cada vez maiores. A Pirâmide de Zozer tem cerca de 60 metros de altura.

Arte Egípcia - O Império Antigo: I Dinastia

Com o fim do Paleolítico, o Neolítico chega ao Vale do Nilo onde se fixam comunidades de agricultores. A rivalidade entre essas tribos e clãs originou bastantes conflitos, dando origem a dois reinos, o Alto e o Baixo Egipto, a Sul e a Norte respectivamente. Esta é a chamada fase pré-dinástica.
Narmer nos finais do 3º milénio a.C. voltou a unificar o Egipto, dando-se o início da I Dinastia, ou seja o Império Antigo. Este acontecimento ficou registado na "Paleta de Narmer", que é considerada a primeira obra de arte histórica.
Paleta de Narmer

A Paleta de Narmer, não era uma peça de uso quotidiano, era um objecto votivo para pintar os olhos da estátua de culto do deus durante a celebração de um ritual. O ritual tinha a ver com a vitória militar do faraó cujo nome estava gravado (em hieróglifos) na parte superior da paleta entre as duas cabeças de touro com rosto humano. Narmer aparece representado em ambas as faces da paleta.

domingo, 27 de Dezembro de 2009

Civilizações Agrárias - Egipto e Mesopotâmia

Ecrita hieroglífica, Egipto

Consideramos a invesão da escrita  por volta de 5000 a.C. como o marco que assinala o fim da Pré-História e o início da História.

Escrita cuneiforme, Suméria. (Chama-se escrita cuneiforme porque é constituída por símbolos com a forma dos cunhos que imprimiam e registavam os caracteres).

A partir o IV milénio a.C. na região do Mediterrâneo desenvolveram-se as primeiras civilizações no seio das bacias hidrográficas dos grandes rios Tigre e Eufrates (a Mesopotâmia) e do rio Nilo (o Egipto).
Os vales férteis de outros grandes rios também motivaram o desenvolvimento de outras grandes civilizações como a India, no vale do Indo e do Ganges, e a China, no vale do rio Amarelo. Estas áreas fluviais favoreceram a agricultura de regadio, o aumento da produtividade, a acumulação de excedentes, o crescimento demográfico, a divisão social do trabalho e a implementação de sistemas de organização social mais complexos, de onde resultaram as cidades-estado. Eram as teocracias, sistemas governados por castas de sacerdotes que administravam não só a vida espiritual como a vida material destas sociedades.

Necrópole de Tebas, Egipto. Decoração parietal do túmulo do faraó  Horemheb, XVIII dinastia.

Todas as manifestações artísticas estavam relacionadas com o culto dos mortos ou com as cerimónias litúrgicas. A arte era dotada de uma grande dimensão sagrada e acaba por se converter num elemento integrante do culto. Por ter essa dimensão religiosa, está justificada a reduzida evolução da arte durante quase três milénios. A primeira revolução artística acontece no Egipto de Akhenaton, e coincide com uma revolução religiosa.
A arte egípcia e a arte mesopotâmica têm alguns paralelismos. As imagens representadas deveriam duplicar o representado. No caso de um orador deveria prologar eternamente a sua oratória. No caso do morto, perpetuando a sua vida no além. Mas para conseguir toda a magia da representação tanto os egípcios como os mesopotâmicos, não representavam a partir de uma visão real do que observavam, mas sim pelo que conheciam de quem representavam. O que interessava era mostrar apenas as características fundamentais de uma pessoa ou objecto. As figuras eram representadas com a cabeça e os membros de perfil, os olhos e o corpo eram representados de frente. As figuras que tinham maior importância social eram representadas com maior dimensão em relação às restates, mostrando o seu poder.
No campo da escultura como eles acreditavam que o que acontecesse à escultura se reflectia na pessoa representada, optaram por recorrer à estátua-bloco, para não correrem o risco de por exemplo a escultura se parir e ficar desmembrada.

Estela de Naram-Sin, rei da Arcádia, Mesopotâmia, c. 2200 a.C.

Também nestas duas civilizações existe paralelismo na forma de distribuir as representações, organizadas em bandas horizontais sucessivas. O que já introduz novos conceitos de representação pictórica como a noção dos limites do quadro, o estabelecimento de dois eixos , o horizontal e o vertical e o conceito de composição que facilita a leitura da obra.

O Livro dos Mortos, Tribunal de Osíris (pormenor), encontrado num túmulo egipcio, c. 1285a.C.

Outro ponto interessante nestas culturas é predominio do animal na religião e consequentemente na arte.

sábado, 26 de Dezembro de 2009

Citânia de Sanfins - Paços de Ferreira


Ruínas da Citânia de Sanfins, Paços de Ferreira

Surgiu por volta do séc. I a. C. e tem uma extensão de cerca de 15 hectares. Tem mais de centena e meia de construções de planta circular e quadrangular, são agrupadas em cerca de 40 conjuntos de casas e estão protegidas por várias muralhas.
Todas as construções estão muito bem organizadas, numa estrutura regular com arruamentos ortogonais. A Citânia de Sanfins é uma das estações arqueológicas mais significativas da cultura castreja do Noroeste peninsular.


Vista aérea da citânia de Sanfins

As escavações iniciaram-se em 1944, e desde então foram retomadas por diversos arqueólogos. Hoje a Citânia de Sanfins é uma importante estação arqueológica.
No centro do povoado encontramos a estátua de um guerreiro que vigia e protege a povoação.

Guerreiro, Citânia de Sanfins
Destaca-se um balneário abastecido por uma nascente de água. Podiam-se tomar banhos de água fria e banhos de vapor, graças a um forno que aquecia a água vinda da nascente.


Balneário, Citânia de Sanfins

Quem passa pela Citânia de Sanfins não pode deixar de passar pelo Museu Arqueológico da Citânia, onde se podem encontrar espólio das escavações. Está instalado na Casa da Igreja ou Solar dos Brandões e foi  fundado em 1947. Para além de Museu é também centro de estudo, conservação, exposição e valorização da Citânia e de todo o património do concelho de Paços de Ferreira.

Citânia de Briteiros - Guimarães

Citânia de Briteiros, Guimarães

A Citânia de Briteiros  foi descoberta pelo arqueólogo Martins Sarmento à cerca de 130 anos, é uma das povoações castrejas mais importantes e deve ter sido habitada até ao século III. Fica situada no alto do monte de São Romão, na freguesia de São Salvador de Briteiros, no concelho de Guimarães. Tem cerca de 200 habitações circulares, evolvidas por uma muralha com forma oval. As habitações estão dispostas em grupos de cinco ou seis organizadas em volta de pátios. Talves correspondessem a grupos de famílias, cada qual com o seu gado e utensílios agrícolas.

 Habitação circular, Citânia de Briteiros, Guimarães

Nestas ruinas é de salientar a casa do concelho dos anciãos, uma fonte coberta, um forno crematório e a canalização de esgotos.
Tal como nos outros castros do norte da Península Ibérica, situa-se no alto por razões defensivas, é uma povoação fortificada e defendida com muralhas. Ao todo três linhas de muralhas com cerca de cinco metros de altura e dois de largura.

Lá foi encontrada  Pedra Formosa, que durante muitos anos esteve no Museu da Sociedade Martins Sarmento e que actualmente se guarda no Museu da Cultura Castreja, em Briteiros. Ela fazia parte da estrutura de um balneário, erguia-se entre a antecâmara e o espaço da sauna, com uma pequena abertura semicircular situada na sua base, de modo a evitar a fuga de calor e suficiente para permitir a passagem de uma pessoa.
 
Pedra Formosa encontrada na Citânia de Briteiros, Museu da Cultura Castreja

A Pedra Formosa é um monólito de granito lavrado com cerca de três mil anos. Tem quase três metros de largura e mais de dois de altura. O seu peso foi calculado em mais de cinco toneladas, mas mesmo assim já sofreu várias trasladações. As pedras formosas são os achados mais valiosos que se podem encontrar nas ruínas dos velhos castros. Mas de todas, esta é a maior Pedra Formosa e a mais bela, foi a que deu o nome a todas as outras. Para além do repertório decorativo característico da arte castreja, são de salientar os frisos com aparência antropomórfica que sugerem uma figura feminina.

No site A Casa de Sarmento, Centro de estudos do Património, podemos fazer uma visita virtual À Citânia de Briteiros.
Além disso a Sociedade Martins Sarmento ainda coloca à disposição de todos o seu Blog com informacões complementares.
Para os investigadores da área, estudantes e todos os interessados em visitar o local a marcação de visitas à Citânia de Briteiros deverá ser feita pelo o telefone 253 478 952 ou pelo email citania@msarmento.org.
Para os caminhantes  foi aberta a "Rota da Citânia", um percurso pedestre circular de quase 10 quilómetros
A Zona de Turismo de Guimarães é a entidade promotora deste projecto, que contou com a colaboração da Sociedade Martins Sarmento.
É de lamentar que em 1932 a Citânia de Briteiros tivesse sido parcialmente destruida com a construção da Estrada Nacional 306.

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Cultura Castreja


Castro de Coaña, Astúrias
A partir da Idade do Bronze final cerca de 1000 a.C., as sociedades torna-se mais complexas aproxima-se da forma primitiva de um Estado e surgem os primeiros principados. Surgem estelas ( lage de pedra decorada com motivos ou inscrições funerárias) funerárias decoradas com escudos, lanças, espadas, elmos ou carros de combate, erguidas sobre as sepulturas de princepes ou chefes gerreiros, exaltando o seu poder e heroísmos. As estátuas- menires têm uma forma antropomórfica, que associada ás representações de espadas, punhais e colares, adquirem um peso simbólico que glorifica e mitifica a figura do "chefe" a que se refere.
Esta evolução artística foi muito condicionada pelas invasões indo-europeias e pelas colónias fenícias e gregas que se fixaram no litoral mediterrânico desde o sec. VIII a.C. Os Celtas, povo de raça indo-europeia
que ocupou toda a Europa Central e que acabou por ser "empurrado" para a Península Ibérica e Ilhas Britânicas até ser absorvido pelos romanos, já deixou vestígios da sua influência. Os castros, que são castelos pré-romanos, são os povoamentos mais característicos desde o sec. IX até ao sec. I d.C. Os mais famosos são a Citânia de Briteiros, em Guimarães e a Citânia de Sanfins em Paços de Ferreira.
A influência dos celtas é nítida nos motivos geométricos da decoração de cerâmica e ourivesaria, nos entrelaçados, cordas, cadeias, labirintos e rosetas.
Para além disso também se destacam no campo da arquitectura e da escultura. No que se refere à escultura, temos os berrões, que são esculturas zoomórficas que representam porcos ou javlis, associados ao culto da fertilidade, e ainda as esculturas de guerreiros, possivelmente homenagem a príncepes e chefes.

Castro de São Lourenço, Vila Chá, Esposende

Castro de Troña, Pontevedra
No que diz respeito à arquitectura castreja, para além de uma arquitectura urbana familiar, com bairros e com locais públicos, casas circulares destinadas ao concelho de anciãos (Briteiros), aparecem edifícios de extrema importância como o da Pedra Formosa. Ela constituía a fachada da câmara principal dos banhos públicos com funções tanto cívicas como religiosas. A Pedra formosa é decorada com motivos geométricos. frisos com aparência antropomórfica que sugere uma figura feminina.

domingo, 13 de Dezembro de 2009

O período La Tène


Segunda fase da Idade do Ferro, na actual Suiça, coincide com o surgimento da arte celta e estende-se do século V a.C. até a invasão romana. A característica da arte desta civilização é a abundância de motivos circulares e curvilíneos, assim como ornamentos de esmalte e coral.